domingo, 7 de dezembro de 2008

De s con s tr u ç ão

Volto de um encontro com amigos com uma palavra avulsa e uma pergunta na cabeça. A palavra é DESCONSTRUÇÃO e a pergunta é sobre o propósito da minha vida. Lembro-me de livros que abordam possíveis propósitos da vida, em inúmeras respostas que falam sem dizer nada, propósitos que aprendemos (com nossos pais, com a sociedade) que são os corretos. Mas gostaria de me esforçar e não pensar em algo que algum estudioso, religioso ou filósofo escreveu, em algo que ouvi e aprendi. Pois se aprendi, precisei apreEnder, e isto significa que algo que não estava em mim agora está. Não pretendo dessa forma desprezar minha pouca mas valiosa bagagem de vida, quero apenas me concentrar por um momento na essência, no que está intrínseco e não aglutinado. Para isso é necessário desconstruir, olhar para as enormes estruturas montadas dentro de nós e reconhecer que de alguma forma fomos moldados. Desde criança vamos incorporando hábitos, costumes, valores, crenças, conhecimentos, desejos... Somos formados e infelizmente muitos formatados. Ou seria o contrário? Bem, cada qual com seu tempo de aceitação, questionamento, ruptura, conformação ou mudança.

E voltando a busca da minha resposta, se é que meu caro leitor ainda lembra-se da pergunta, penso que o processo de desconstrução é inevitável. Essa desconstrução pode acabar sendo sinônimo de limpeza, de organização em meio ao caos que vivemos, de aplacar a ganância e olhar para o necessário, de abrir mão de uma vida de aparência por algo que realmente tenha valor. E o que realmente tem valor para mim? O que faz a tua vida valer a pena? O que me faz sentir feliz? O que te faz pensar ao deitar na cama que aquele dia valeu? Respostas simples me vêm à mente, respostas que fariam milhões chamarem-me de tola, mas respostas que enchem o coração de esperança e fazem a minha vida ter mais sentido. E agora queridos amigos ateus, fechem os olhos e até endureçam o coração, mas eu realmente não encontro propósito maior na vida que não seja amar Aquele que me deu vida. Esse amor não é algo vago e subjetivo, que se apóia apenas em caridade, mas um exercício extremamente prático e diário. É valorizar as coisas simples da vida em comunidade e participar ativamente no processo de descosntrução e construção individual e coletivo. Uma delicada e permanente transformação de vidas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

De volta à superfície

Já há algum tempo sem escrever no blog, antes tarde do que nunca, voltei. Isto não significa que estive longe do mundo virtual, muito pelo contrário. Mergulhei de tal forma no mundo da web que se tornou difícil voltar à superfície. Chego à conclusão de que para mergulhos ainda mais fundos eu preciso armazenar mais oxigênio.

É possível encontrar qualquer coisa na internet. Este é o sentimento de quem começa a conquistar maior intimidade com o World Wide Web. Há sites sobre os assuntos mais diversos! Irreverentes como http://www.deusnaoesurdo.com.br/ , um site com layout bacaninha que recebe os desabafos de vizinhos de igrejas barulhentas e relaciona as leis do silêncio. Sites com layouts interessantíssimos como o http://www.bftaci.com.br/ e o http://www.neoproducoes.com.br/, e também sites horrorosos como http://www.havenworks.com/ . Há sites com gênios que tentam adivinhar o que pensamos! Sim... http://www.akinator.com/ . Sites legais que promovem reflexão e atitude diante a degradação ambiental, tais como http://www.lixeiraviva.com.br/ e http://www.sacolasvideira.blogspot.com/. Já o comércio na internet rola solto, podemos comprar desde parafusos até apartamentos! A internet 2,0, e já há rumores da 3.0 e 4.0, permite que qualquer pessoa exponha sua opinião sem a menor restrição. Redes de relacionamento como Orkut, Sonico e Unique teimam em nos enviar convites diariamente. Sites de busca como Google, Yaho e Cadê são acessados para tirar todo tipo de dúvidas e busca, desde a grafia correta de uma palavra, a interpretação de um exame médico, o conteúdo de trabalhos escolares e universitários, vagas de emprego e produtos a venda. Enfim, é possível se divertir, relaxar, ler, estudar, aprender, ensinar, desenhar, fazer arte, fazer compras, baixar músicas e filmes, conhecer lugares, conversar, e muito, muito mais na internet. A tecnologia evolui, ganha espaço e confiança, e todos querem ter o seu www.

O comércio eletrônico e as transações bancárias facilitam a vida de quem não possuí o tempo que gostaria, os chats e bate-papos aproximam pessoas, as notícias nos mantém bem informados, os cursos online poupam nosso tempo... E aparentemente a internet é maravilhosa. O problema é que nem todas as lojas virtuais existem e possuem pessoas idôneas administrando-as, os hackers se tornaram profissionais em conseguir senhas e invadir sistemas, os chats e as redes sociais estão lotadas de pessoas carentes e outras com más intenções, muitas notícias informam o que realmente não deveria nos interessar sobre a vida alheia... É preciso realmente saber separar o joio do trigo.

No fundo desde mar, nos sentimos perdidos em meio a tanta tecnologia e alto nível de desumanidade. Relacionamentos superficiais são comuns e se tornam irritantes, apesar de incrivelmente suportáveis. A imensidão de imagens e possibilidades artísticas não se compara a beleza da natureza, pode apenas tentar imitá-la.

Como uma novata web designer venho a superfície com a consciência da necessidade de equilibrar o que é virtual do que é real, de separar as jóias do lixo, e fazer o possível para contribuir com qualidade no universo virtual.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Feira de beleza


Que amarelo brilhante daqueles pimentões! Até parece que passaram verniz neles! Os vermelhos não deixam por menos, são tão bonitos quanto os amarelos... E as berinjelas, com uma superfície perfeitamente lisa de um roxo pomposo, alinhadas na prateleira exibem suas belas curvas. O verde bandeira dos limões contrasta com o amarelo da bandeira nas laranjas.

O doce e delicioso aroma das mangas é inconfundível, junto a outras frutas compõe um odor cítrico cobiçado pela indústria cosmética e presente sem esforço na barraca do feirante.

Em poucos minutos, em um curto trajeto, meus olhos puderam contemplar cores, formas, criações mais belas que muita arte que chamam de arte. Eu poderia escrever sobre a pose dos abacaxis, sobre as alcachofras elitizadas, sobre os lindos tomates vermelhos frescos, ou ainda sobre a extrema delicadeza dos morangos.
Uma feira, numa ensolarada manha de terça-feira, sem eira nem beira, encheu meus olhos e coração.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Divino Brincar


O lançamento do Divino Brincar foi um sucesso!

E agora vocês poderão conhecer novas histórias e outros produtos no blog:


Visitem, comentem e divulguem para seus amigos!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A irmã Natureza


Nunca em minha vida tive tamanha admiração pela natureza. É como se os meus olhos enxergassem o que antes não viam. Enquanto estou escrevendo, vejo um céu de um azul tão intenso que sinto o enorme desejo de voar. Ah... que inveja dos pássaros! Aliás, estes eu não vejo mais com tanta freqüência. Vejo algumas árvores dançando ao som do vento, na melodia mais linda já criada e que nenhuma pessoa seria capaz de reproduzir. Vejo também a grama, verdejante. Que vontade de deitar nela e assim poder contemplar mais o céu azul. E os cheiros que a natureza produz... quem poderia dizer que não é o perfume do próprio Deus? Vejo também muitas pessoas, passando, pensando... indo, vindo, correndo... nervosas. Estão pisando a grama se nem olhar pra ela. O céu então nem se fala. Acho que só lembram de olhar pra ele quando começa a chover e o olhar delas nesse momento não é de admiração mas de raiva. Coitada da grama. Vez por outra ainda jogam um toco de cigarro nela. Mesmo assim a grama, e a natureza toda, permanecem firmes num mesmo propósito: serem belas. Em despeito ao cinza, à fumaça, à dureza do asfalto, a natureza insiste em ter o colorido mais intenso que seja possível ter, o cheiro mais agradável que se possa sentir, toda exuberância de sua existência.


Chesterton disse muito bem:
“O ponto principal do cristianismo foi esse: que a natureza não é a nossa mãe: a natureza é nossa irmã. Podemos nos orgulhar de sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai, mas ela não possui autoridade sobre nós; temos de admirar, mas não imitar. Isso dá ao típico prazer cristão nessa terra um toque estranho de leveza que chega quase a frivolidade... a natureza não é solene para Francisco de Assis ou George Herbert. Para são Francisco, a natureza é uma irmã, e uma irmã mais nova: pequena, dançante, com quem se ri e a quem se ama” (Ortodoxia, 120)

(texto de Marcos Scheguschevski)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Quem está no poder?

Fiquei doente. Dois dias atrás perdi as forças de tal forma que não conseguia parar em pé, mas já estou bem. Após algumas agulhadas pelo corpo e um dia inteiro de absoluto repouso, a máquina voltou a funcionar. Precisei desmarcar alguns compromissos e fui obrigada a dar total atenção a ela, pois não conseguia fazer absolutamente nada, sequer ler um livro. E neste processo reconheci mais uma vez que definitivamente não sou eu quem está no controle.

Reconheci também a enorme pressão que eu decido todos os dias me submeter. Pressões externas são até comuns, até certo limite talvez saudáveis; mas a maior e pior pressão que sofro é a minha. Imponho condições, datas e até premiações... (rs, espero não ser a única a pensar coisas do tipo: se eu conseguir fazer isso tomarei um belo sorvete! rs) Lembro-me que quando era pequena, minha mãe nem precisava se preocupar com minhas notas, eu já cobrava o meu melhor... e isto nem sempre é bom.
Quando li o que Foster escreveu sobre os nossos EUs, identifiquei na mesma hora a guerra dos meus...

“Dentro de nós existe um conglomerado de eus. Há o eu tímido, o eu corajoso, o
eu dos negócios, o eu que é pai ou mãe, o eu religioso, o eu literário, o eu
enérgico. E todos estes eus são individualistas rudes. Nada de barganha ou
transigência para eles. Cada um berra a fim de proteger seus interesses
assegurados. Se é tomada uma decisão de passar uma noite tranqüila ouvindo
Chopin, o eu dos negócios e o eu cívico se erguem em protesto ante a perda de
tempo precioso. O eu enérgico anda de um lado para outro, impaciente e
frustrado, e o eu religioso nos relembra as oportunidades perdidas de estudo ou
contato evangelístico. (...) Não admira que nos sintamos perturbados e
divididos. Não admira que assumamos compromissos demais e vivamos vidas de
frenética fidelidade. Mas quando experimentamos vida no Centro, tudo muda.
Nossos muitos eus são submetidos ao controle unificador do Árbitro
divino.”(FOSTER, Richard. Celebração da Simplicidade, p.101. Editora United
Press:Campinas – SP, 1999)

A expressão frenética fidelidade soa bastante contraditória. Afinal, desejamos ser fiéis, e isto inclui relaxar e confiar no Árbitro. Não se trata de viver equilibrando o valor dos eus, porque isto também pode resultar em algo bem pesado. É preciso deixar fluir, obter harmonia entre os eus, aprender a andar com eles e não os carregando, são pesados demais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Últimas produções

Eu realmente não sabia o quanto era legal “pirografar”. Com o pirógrafo do Sr. Rene pude experimentar e pirar em alguns canetários e quadrinhos.

Uma conversa com a Tina do Coro Brado me levou a pensar mais sobre música, em fazer algo relacionado à música... Estas caixinhas farão parte do kit Casa da Videira e levarão um sabão ecológico dentro.



Após anos sem pintar tela, voltei essa semana. Há! Eu realmente gosto de pintar! Senti aquela sensação gostosa novamente. Aquela sensação indescritível sabe? Que só quem sente é quem sabe...

E o resultado está aí...

Deixei-me levar de tal forma pela pintura, pelas formas, pelas cores suaves e contrastantes, por pinceladas rápidas e macias... e só me dei conta que fiz a clave do lado errado quando terminei a pintura! Talvez o termo certo não seja “do lado errado”, mas do lado contrário ao convencional. E será que há um termo “certo” para definir a pintura? Ela fluiu, mesmo que a partir de uma falha da minha memória ou da minha mão que preferiu outro movimento. Sim, porque fiz tantas claves de sol pirografadas que não deixam dúvida que eu sabia fazer...

Confesso que fiquei frustrada! Entrei em crise! Mas no mesmo dia soube que uma amiga costurou a manga de uma blusa do lado avesso, outra desmanchou uma alça perfeita no lugar de uma com defeito, e outros exemplos foram surgindo que me consolaram. Todos erramos, e o primeiro que não errar que atire a primeira pedra! (rsrs)

A tentação de falar que foi de propósito foi grande, mas não teria nada a ver comigo. Eu realmente odeio a mentira, e dessa forma mentiria para mim mesma. Escolhi então rir, assim como uma criança que cai de bunda no chão e começa a rir... Rir imaginando que poderão encontrar essa tela daqui uns 200 anos e darão 50 possibilidades do por que daquela clave do lado contrário... (rsrs)... Foi apenas um erro. Ou um acerto? Foi um devaneio artístico! A propósito, não tenho pretensões de ser uma artista famosa, foi apenas um delírio descontraído.
Estou aprendendo a rir dos meus erros...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Reminiscências filosóficas

Não há certo nem errado, toda lei ou regra não existe e a maioria foi instituída recentemente. Há instinto de defesa, de sobrevivência. Há necessidades que precisam ser supridas e meios para supri-las. Com a capacidade criadora, nem sempre sábia, o homem seleciona e ordena segundo parâmetros que instituíra previamente. Muitos embasados em sentimentos fraternos e cuidadosos, outros completamente materialistas e prejudiciais ao meio. Enfim, um olhar macro contempla ordem e um olhar micro detecta uma pseudo ordem.

Todo conhecimento decomposto em letras, palavras, frases, textos, artigos, músicas, livros, jornais... Será que tudo é questionável? Estas palavras que escrevo são compreensíveis devido à ordem estabelecida – letras, vogais e consoantes, frases, parágrafos, idioma português... O que seria deste texto sem pontuação? Confusão e aparente desordem. Muitos estiveram embutidos no sistema para que eu pudesse ler e escrever hoje. Desde a invenção do papel, o desenho das letras, a organização de dicionários, a tecnologia da informática.... A importância da desconstrução é inegável para valorização e reconstrução de qualquer coisa.

Onde posso chegar nessa linha de raciocínio se entender que tudo é questionável, que não há certo nem errado, que o sistema não está funcionando como deveria e que, portanto, eu deveria andar contra ele? O desanimo não tarda em duvidar de qualquer esperança. Mas a vida acontece numa rede de relacionamentos, entre pessoas que pensam e constroem, que buscam fazer e transformar, que procuram dar sentido e valor ao que vivem...

Procuramos não ser favoráveis ao sistema, mas em algum grau dependemos dele. Renunciamos aos produtos industrializados, aos plásticos, ao carro; Adotamos produtos orgânicos, sacolas de tecido e bicicleta. E estes são apenas três exemplos dentre muitas mudanças que podemos decidir viver. Mas o produtor orgânico precisa do carro para vender na cidade e as sacolas que seus clientes levarão suas frutas e verduras foram compradas no shopping – lugar que abriga jaulas humanas? Que incentiva o consumo desenfreado? Que dissemina a indústria cultural? Mas que devido a sua organização possibilita fundos para projetos que começam a mudar o mundo.
Quando comecei a escrever este texto não tinha ao certo o que queria dizer. Penso que eu queria me entender melhor, entender o que estou vivendo. Gostamos quando fazemos negócios com empresas grandes, quando vendemos idéias e produtos que mudam o mundo, e a dúvida que surgiu foi se estamos apoiando o sistema que rejeitamos. Talvez estejamos tão enraizados nesse sistema que se torna difícil entender a validade de pequenas ações que introduzem um outro jeito de viver. Compreender que talvez seja necessário ser cúmplice durante algum tempo, mas que a mudança já está acontecendo.

Peço desculpas antecipadas se acabei sendo abstrata demais ou equivocada em algum aspecto. Minha orientadora da monografia sempre dizia que eu tenho dificuldade em colocar as idéias inteiras no papel, acabo escrevendo partes e o texto fica confuso. Profe. Marília, estou me esforçando... rs

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lagarta


Esta lagarta,
aparentemente bem brasileira,
de curvas perfeitas e belas cores,
foi fotografada após ser flagrada
na horta da Casa da Videira...



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Guarda

Por 2 dias o Tomás (9 anos) pedia incansavelmente um pano. Sem sucesso ele ganhava apenas retalhos, começou então a querer comprar um tecido. Sem dinheiro, pegou uma caixa da prateleira (sem autorização) e saiu vendendo pela Casa da Videira. Dentro de alguns minutos chegou a compradora querendo se certificar se a caixa que valia 4,50 realmente estava com desconto e estava sendo vendida por 2,00. Este era o valor exato do tecido que o Tomás queria comprar. Conversei com ele sobre mentir, sobre os malefícios da mentira.

No dia seguinte ele trouxe 2,00 de casa, nos certificamos com a mãe se ele realmente podia usar, e finalmente obteve um bom pedaço de tecido novinho. Feliz da vida me pediu tintas e pincéis. Esticamos o tecido no estacionamento, logo surgiram outras crianças para ajudá-lo, as quais ele instruía o que fazer e dizia: “Capricha! Capricha!”

O Tomás tem imenso carinho pelo guarda da sua escola. Desconheço algum fato pontual que os tenha aproximado, apenas imagino que o Tomás admire o guarda pela sua profissão e que este guarda dedique atenção especial ao Tomás. Ele já fez boné e farda iguais as do guarda, fez presentes para o guarda, e dessa vez convidou o guarda para almoçar na sua casa. E o tecido o que te a ver com isso? Há! Era para fazer uma faixa de “BEM VINDO GUARDA!”, com letras grandes, desenhos e laços.

A atitude do Tomás me fez pensar sobre amizade. Amizade cheia de respeito e admiração, mas principalmente amizade desinteressada. Dispor tempo e dinheiro para um amigo sem esperar nada em troca, oferecer carinho e atenção pelo prazer de estar junto. Amizades verdadeiras assim são puras, sublimes e raras.

Transitoriedade

Tudo é transitório. Se hoje lutamos com todas as nossas forças por algo, amanha este algo pode perder todo o valor. O que realmente tem valor se todo valor pode se perder? O valor das coisas é efêmero? Então por que fazemos tantas coisas para obter ainda mais coisas? Há coisas que são necessárias, outras parecem necessárias, e outras que realmente não são necessárias. É pura vaidade. Almejá-las é correr atrás do vento, e conquistá-las é abraçar o vento. Abraçar o vento pode ser bom, só é preciso não esquecer que é vento.

Não só coisas materiais podem perder o valor instantaneamente. Um diploma pode não significar nada três anos após a formatura, um cargo superior na empresa pode causar mais malefícios que benefícios, uma opinião convicta hoje pode perder o valor amanhã. Lutar por uma causa pode fazer a vida ter mais sentido, mas se a luta não for por amor a pessoas, todo sentido, todo valor se perderá como o vento.

"Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa". (Tg 4:14)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

SIMPLICIDADE

"E na simplicidade há horas de luta e esforço, horas nas quais nos desesperamos
de jamais ter nossos estilos de vida em que sentimos que deveriam estar, horas
nas quais pensamos se nossas vidas jamais terão inteireza." (FOSTER, Richard.
Celebração da Simplicidade)



Por horas sinto o desespero descrito pelo autor citado. Tenho vivido coisas tão simples. Simples, não simplistas. Coisas simples de uma complexidade enorme. E há tanta luta e esforço para realizar essas coisas simples, e os resultados são mais simples ainda, talvez quase imperceptíveis. Parece mesmo que a vida não terá inteireza, afinal, nada está sendo feito de muito grande, nada que mereça reconhecimento humano, nada que chame a atenção da imprensa ou que renda muito dinheiro.

Talvez algo maior seja feito para sanar este sentimento, mas quero poder continuar a fazer coisas simples. Simples como estes palhaços feitos de sucata pelas crianças, com sua simplicidade alegraram nossa tarde. E a garotinha que chegou chorando, desesperada com um problema que era grande para ela, pode sorrir mesmo com toda a simplicidade do palhaço de sucata.


quarta-feira, 25 de junho de 2008

Como transformar o progresso?

Desci do ônibus na Pç. Rui Barbosa em pleno horário de pico, 18h. Quanta gente, quanta beleza diferente. Jovens bem arrumados nas filas para embarcar nos ônibus, rostos cansados, crianças agitadas, gente apressada. Deficientes se arrastando pedindo uma moedinha ou qualquer coisa que talvez nem eles saibam o que, e o cheiro de bacon frito e pipoca é levado pelo vento do intenso movimento de pessoas sem nome. Sapatos, roupas, muitas roupas!Liquidação, promoção, 30% de desconto! E na saída da escola as crianças fumam, e se beijam, e se acariciam. E dizem que amam, e que é preciso aproveitar a vida.

Está escurecendo e as pessoas já fizeram tantas coisas hoje. Mas buzinam, ultrapassam, furam o sinal, trancam o cruzamento. Os motoristas de ônibus falam mal, do transito, do salário, do tempo de trabalho. Não obrigada. Puxa vida, era uma senhora distribuindo folder de alguma loja. Toda agasalhada, devia estar ali há horas. Ops, desculpe. Faltou espaço para ultrapassagem. Acontecem acidentes de transito entre pedestres também.

E mais lojas, e mais promoções, vitrines bonitas e muitas, mas muitas pastelarias. Fumaça pra todo lado também. As propagandas foram proibidas mas o vício e o desejo de fama ainda se apoderam de muitos. E o camelô, vendedor de frutas, encerra o expediente. Fecha o seu carrinho e o empurra com dificuldade, até onde não sei. A sirene da ambulância anuncia mais um acidente, o transito se abre para ela passar e o vendedor da farmácia continua atendendo. Agora vem a viatura da polícia, e é apenas mais um no meio de caos.

Cheguei à escola onde estudo e escrevo estas palavras ouvindo reggae, com cenas de praia que insistem em vir a minha mente. E assim o caos se dissolve frente a um puf laranja e uma “bela” planta artificial. O mesmo ocorre quando assistimos uma reportagem sobre algo que realmente nos preocupa, ou nos entristece, e logo em seguida somos bombardeados com propagandas e programas supérfluos e inúteis. Realmente é preciso se esforçar para o gratuíto exercício da reflexão.

Nasce então uma angústia causada pelo excesso de apelos sensoriais, pela imposição de marcas, pela sujeira visual, pela enxurrada de informações, pela exploração da ignorância, pela desordem geral.

Como não participar? Ou participar sem contribuir para o que chamam de progresso mas que mais se parece com regresso? Regresso não como voltar, mas como piorar. Progresso não como melhorar, mas como avançar sem sentido. Como amenizar tal caos? Como interferir no processo? Como transformar o mundo no qual vivemos em um mundo melhor?

sábado, 21 de junho de 2008

Lojinha no blog

Bem, primeiramente gostaria de convidá-lo a visitar um novo blog: Sacolas Ecológicas Casa da Videira. Está novinho, esperando sua participação com comentários! Em breve será possível encontrar lá o catálogo das bolsas, mas por enquanto apenas uma apresentação deste bonito trabalho.

Agora que você já leu no blog SacolasVideira como fazemos negócios na Casa da Videira, penso que posso apresentar alguns dos produtos da Oficina da Transformação. A venda deles possibilitará recursos para mais e mais transformações. Idéias não faltam!



Estes 4 vasos de cerâmica chegaram numa doação, dentre muitos outros materiais, feita por uma floricultura. Alguns ainda sem pintura e outros até pintados, mas todos foram transformados.

Apenas R$9,00 cada.

















Este quadro foi feito com serragem peneirada e tinta. Eu tinha esta tela guardada há um bom tempo, parece até que estava guardada para este trabalho. Foi muito legal fazê-lo com as crianças! Mede 50x70 cm. R$35,00

Este com vários elementos vocês já sabem a história. Só não sei se contei que tem dedinhos do Tomás aí... Há garoto que gosta de arte! R$50,00

Abaixo seguem fotos de 3 quadros que estão expostos na Casa da Videira, mas que pintei algum tempo atrás, ainda na fase "paisagística", anterior à faculdade. Medem 50x70cm e já possuem moldura. Estou dizendo por aí que a oferta mínima é de R$180,00.Sim, oferta mínima porque já cheguei a vender quadros semelhantes a esses por muito mais dinheiro, mas a questão agora não é ganhar muito, mas usar muito bem. Então se alguém achar que eles valem mais e estiver disposto a adquirí-los, basta fazer a oferta.


E por fim, uma foto comigo pintando a janela, ao redor da janela... Tadinha, ela estava lá no jardim abandonada enferrujando e eu lá em cima precisando de iluminação. Agora ela está bonita, bem tratada, adornando nosso cantinho.






quarta-feira, 18 de junho de 2008

Arte e Vida



Há! Como é bom poder criar! Ou melhor, transformar. Pois tudo que existe e o que ainda conheceremos já foi criado. Está tudo aqui! Uma diversidade imensa de formas, de cores, de texturas, de materiais! Nada é original se pensarmos que tudo já foi criado, mas o prazer em selecionar materiais, escolher nuances de cores, explorar texturas, definir formas... Há! É algo muito bom!


Tenho a impressão de estar escrevendo para um público restrito. Mas não deveria ser assim. Todos podem ter uma experiência artística mesmo que nunca tenham desejado ser artistas. A arte está impressionantemente mais entrelaçada com a vida do que muitos imaginam. Na minha monografia de conclusão do curso de Arte Plásticas na UFPR, escrevi longamente a respeito, relacionando arte e cotidiano – artesanato, culinária, moda, decoração, e outros “fazeres especiais”.

Segundo
Richter (2003, p. 104–105), embasada por Dissanayake**, o ser humano tem uma necessidade interior de transformar ou embelezar a realidade, o seu entorno, e dedica-se o melhor que pode nessa atividade especial, nesse ‘fazer especial”, com expressa intenção estética. Colocar aleatoriamente objetos para o café sobre a mesa é uma atitude muito diversa de dispô-los de forma organizada e agradável
aos olhos; bordar uma toalha com restos de fios tomando cuidado com as cores que ficarão próximas e com o efeito destas, é diferente de bordar apenas para
produzir uma toalha; tricotar uma blusa com uma técnica ensinada por três
gerações; fazer determinado prato típico de uma região,... Atitudes como estas, que permeiam o cotidiano de todos, são carregadas de sentido e proporcionam
valor estético a vida.
* RICHTER, I. M. Interculturalidade e estética do
cotidiano no ensino das artes visuais. Campinas – SP: Mercado das Letras,
2003.
** DISSANAYAKE, Ellen. What is art for? 2º ed. Seattle, University of
Washington Press, 1991


E na Casa da Videira todos transformamos! São tantos os fazeres especiais lá! É o Sr. Rene transformando a madeira, a Yrene recuperando plantinhas, o Du sempre construindo alguma coisa, a Janete preparando pratos gostosos, a Andressa fazendo uma criança sorrir, o Lucas fazendo do óleo sujo sabão perfumado, as mulheres do atelier de costura confeccionando lindas sacolas! Além é claro, de nós estarmos em plena transformação e participando da transformação das crianças ao nosso redor.

Fotografei as imagens que ilustram o texto hoje na Casa da Videira. Que perfeição! Não das fotos! Mas da criação!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Por uma internet melhor!

Na semana passada eu pouco escrevi no blog, fiz apenas introduções. Vontade não faltou, mas outras atividades disputaram o meu tempo. Uma delas foi o 10º evento da LocaWeb para profissionais de Internet. Ainda não sou uma profissional, mas sou bastante curiosa e fui lá ouvir sobre tendências do mercado, novos softwares, tecnologia da informação, marketing e muito mais.
As seis palestras ampliaram o meu horizonte tecnológico, evidenciaram o quanto a internet está transformando o mundo. A internet transformou a forma de fazer compras, de fazer negócios, de estudar, de pagar contas, de se divertir, de se relacionar. O mundo foi compartimentado e se tornou acessível a todos, não apenas como assistentes, mas como participantes. A partir da internet 2.0, todos podem interagir com os sites, deixar sua opinião na blogosfera ou no Orkut, publicar um vídeo no YouTube, ou jogar com outras 7 internautas online.
O ciberespaço tem muita, mas muita coisa boa! Mas também tem muito LIXO. Assim como o mundo físico, o mundo virtual também necessita de cuidados, de organização, limpeza, ética, de novos olhares. Sequer citarei aqui as sujeiras da internet, até porque a calamidade virtual provém daqueles que operam as máquinas. E tudo está interligado, é uma rede de informações, um pacote com tecnologia, meio ambiente, ciência, saúde, educação, política, espiritualidade, comércio, relacionamentos...
“A web é uma rede mundial de gente.”
A palestra do Gil Giardelli – A Internet Inteligente, foi realmente inspiradora. Com simplicidade e requinte ele abordou meios para uma internet a favor de um mundo melhor.

A internet também pode transformar olhares, ser “música para os olhos”, renovar entendimentos, restabelecer valores. E é por isso que esse blog existe, e outros como o das bolsas e do sabão ecológico serão feitos.
Porque uma internet melhor é possível!

sábado, 14 de junho de 2008

Casa da Videira

Para quem ficou se perguntando: Que lugar é este? Segue abaixo um texto, do qual gosto muito, sobre a Casa da Videira. Desconheço o autor, mas acredito que ele gostará que mais pessoas conheçam este encantador lugar. Modifiquei apenas o último parágrafo com atualizações.

Boa leitura!
Foto montagem por Marcos Scheguschevski

Que lugar é esse?Onde três sementes de Girassol, fazem nascer mais que flores, mas o sorriso no rosto de uma criança que havia se perdido de si mesma, e que encontra outras para se encontrar.


Onde passa uma criança correndo, sorri pra você, te chama de tio ou tia e diz que está com pressa? O sorriso e o nome tio, isso se percebe, são fruto do afeto... ela te incluiu na família.


Onde um punhado de milho vira um projeto para aprender música, amor à natureza e responsabilidade para com a criação. E onde a colheita de um canteiro abre as portas para conversar sobre ecologia, sobre história das civilizações, sobre como o amor de Deus é plantado, cresce e pode ser colhido no solo do coração.

Onde um adolescente sai do seu mundinho e mostra responsabilidade ao trazer pela mão um irmão menor, ou mesmo o irmão do amigo. Onde se aprende que cuidar do outro é o primeiro passo para um mundo melhor.


Onde quem ensina aprende, onde o mestre é o outro e o afeto é o quadro no qual vai se desenhando uma história feita de nossas biografias.

Onde a palavra “complexo” ganha seu sentido ao nos tecer juntos até que já não podemos mais dizer EU sem pensar NÓS.

Onde palavras ganham sentido e vida... vida... vide... videira. E esta vida faz de um galpão, uma casa, e essa casa vira nossa.


E nessa casa tem roupa, tem comunidade, tem oportunidade, tem participação. O que foi amado um dia, ganha novos amores e aquele querido casaco usado, vira o novo casaco querido de outro alguém.


Onde segurança é sinônimo de vizinhança, não de arame farpado. Onde lugar de brincar se chama vila, onde leitura é feita em roda, e na roda capoeira e na dança a gente roda.


Onde em meio ao descaso e a desesperança, nasce a vida. Por que é ela, crêem os que vivem nessa casa, que terá sempre a palavra final. Nesse lugar se verifica que Deus sempre nos surpreende, levando cada um muito além dos lugares onde havíamos planejado chegar.

É assim esse lugar.... e existe... é uma casa, à sombra de uma videira, nas mãos de um agricultor.

A Casa da Videira - ACV é uma organização não governamental cristã que trabalha com projetos nas áreas de desenvolvimento da cidadania e renda.


Atualmente trabalhando na Vila Fanny, a Associação Casa da Videira desenvolve projetos que trazem para o bairro cultura, através de eventos como o Nós Na Tela e o Coro Brado, oficinas de costura, bordado, horticultura, arte, culinária, marcenaria, fotografia, vídeo, além de atividades pedagógicas e muita brincadeira! Temos ainda um bazar onde roupas novas e usadas são vendidas a preços baixos, produção de sabão ecológico a partir do óleo de cozinha, e um atelier de costura onde é comercializado um novo estilo de vida com as bolsas ecológicas.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Não Leia. É Perda de Tempo.

Hoje tentei trabalhar retrato e auto-retrato com as crianças. Sim, tentei. Mas estavam impossíveis. Foi uma gritaria só ao verem suas fotos ampliadas em folhas A3, nas quais elas iriam interferir.

Como o auto-retrato é um retrato de quem o faz, é preciso olhar para dentro, pensar em características, em virtudes e defeitos (ou diferenças). As crianças ainda olham mais para os outros que para si, pois ainda estão formando suas bases, fazendo escolhas, definindo preferências, observando como as pessoas reagem em cada situação. Aparentemente tudo acontece com naturalidade. Já os adultos, têm dificuldade para equilibrar. Talvez o mais comum seja olhar demais para si e mal perceber os outros. Mas acontece também de evitar nos entender, julgar desnecessário, desinteressante.

Eu escrevo muito, escrevo sobre pensamentos, sentimentos, impressões... Raramente mostro a alguém, mas guardo tudo. De vez em quando leio e vejo o que vivi e o quanto fui transformada, e nessas leituras provo melancolia e alegria. Mais alegria que melancolia. Parece que assim converso comigo, me conheço melhor, organizo o que penso. Logo abaixo está um texto nesse gênero, não meu, mas de alguém que parou, se olhou e tentou entender o que viu.



Não Leia. É Perda de Tempo


Talvez o título tenha despertado sua curiosidade, por isso reforço: Não leia. Você perderá seu precioso tempo.
Poderia apostar meu dedo mindinho que você continuou. Ô curiosidade! Já que insiste...
Tenho ouvido muito e de todos os lados. Estou cercado de pessoas que enxergam o mundo de formas diferentes, alternativas. São pensadores, amantes da vida. Pessoas inconformadas com o mundo que vivemos, ou como diz um deles: sobrevivemos. Todos eles têm a facilidade de se expressar. Suas idéias transformam-se em letras com uma facilidade assustadora. Eles lembram as palavras e seus significados e isso é realmente invejável. Diante disso um sentimento me surge. Queria ser como eles e ter todas as suas qualidades. Seria isso a tão famosa inveja? Poder-se-ia dizer que sim, não fosse um detalhe: eu amo cada uma dessas pessoas. Muito já se falou sobre o amor então não vou me arriscar a falar nada para não correr o risco de estragar algo que já foi dito e também porque tenho a absoluta certeza de que não somarei nada. Eu simplesmente poderia dizer que eu vivo o amor ao extremo. Sou emotivo e às vezes isso me faz um mal danado. Escrevendo essas palavras sinto um nó na garganta. Por quê? Não sei. Não faço a mínima idéia. Nessa hora, mais uma vez, eu não gostaria de ser eu. Gostaria de ser outro, gostaria de ser alguém melhor. Dizem que eu sou muito autocrítico, que exijo muito de mim. Podem ter razão. Na minha auto-avaliação acho que a nota máxima que já tirei foi 7 e na minha "escola" isso não basta pra passar. Eu fico me perguntando a todo instante o que devo fazer? Isso acontece com mais alguém??? Estou cercado de pessoas que, como já disse, são pensadores. "Nossa! Como eles conseguem ver a vida de forma tão clara?", penso. Há! Olha eu aqui já partindo pra auto piedade. Credo! Ok, ok... continuando... e já finalizando também. Apesar disso tudo que eu disse, sei que existem pessoas que me amam também e talvez (estou me arriscando a dizer) algumas até que me considerem "o cara" e se isso for verdade prefiro não saber quem são, primeiro porque talvez isso "quebre o encanto", segundo porque sofro do mal do orgulho. Sei que eu tenho um papel a desempenhar na história e que um dia vou olhar pra trás e ver o que minha existência mudou nesse mundo. Por enquanto não enxergo nada. Deus sabe o que faz. Se eu enxergasse, talvez deixasse de fazer. Alguém consegue entender o que digo? Me resumo como uma pessoa feliz em sua tristeza. Nossa isso é esquisito! ...mas é isso que acho que sou. Ao contrário do que todos pensam, tristeza faz bem sim. Fico imaginando um mundo só de pessoas felizes... penso que seria bem chato. Não espero que ninguém concorde comigo, acho isso e pronto (ah, também sou uma pessoa teimosa). A questão da tristeza está muito ligada a dor. Pra mim essas duas coisas produzem compaixão, humildade, honestidade, hospitalidade, simplicidade e mais um monte de coisas capazes de mudar o mundo. Não sei se você observou, mas eu disse logo acima que estava finalizando o texto... (risos). Sou feliz. E muito. Acredite! (também me contradigo muito). E pra você que se deu ao trabalho de ler este texto e está pensando: "Tá, e daí? O que você quer dizer com todo esse blá, blá, blá?" eu respondo: não sei, não faço a mínima idéia. Eu estava com vontade de escrever. Talvez você leia esse texto e pense: "Meu! Eu consigo fazer muito melhor que isso". Se isso acontecer, ESCREVA! Só de imaginar que talvez eu desperte esse desejo em alguém, que talvez leia esse texto, que talvez se identifique e que talvez entenda algo do que estou escrevendo já me fez sentir que o dia de hoje valeu a pena ser vivido. E se depois desse comentário você ainda está aqui lendo é porque realmente estava com vontade de ler . Ah, eu poderia colocar aqui nessa linha uma frase de alguém famoso, como Chesterton, C.S. Lewis, Einstein e tantos outros, só pra chamar sua atenção (já fiz isso) e te fazer pensar que eu sou um cara inteligente mas esse não é o meu propósito. Talvez a minha maior intenção com este texto seja quebrar o padrão. Porque algo tem que ter início, meio e fim? Porque não escrever meios-textos? Porque não produzir algo que não se sabe quando, de que forma, e muito menos se um dia vai ter fim. Você já ouviu falar daquela igreja, acho que na Espanha, que está sendo construída faz um tempão e que não tem previsão pra ser acabada? Pois então, eu arrisco dizer que a obra nunca acabará. Todos a conhecem assim e muito da beleza dela seria tirada se um dia dissessem "está pronto". Porque tudo tem que ter lógica? Quanto isso limita o nosso pensamento? Não sei. Deixo você aqui, espero que pensando. Se você ficou com raiva de ter lido algo de tão baixa relevância (em seu julgamento) só quero lembrá-lo que você foi alertado desde o início.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Caro ego...


"(...) caro ego, Deus decidiu não compartilhar sua glória com você hoje. Ele a quer toda para si mesmo. Sua amiga, Sheila."
(JOHNSON, Greg. O mundo de acordo com Deus – Uma visão bíblica sobre a cultura, o trabalho, o sexo e cada detalhe de sua vida.) --- Recomendo este livro!

Lembrei-me da recomendação do Greg quando li os comentários do blog. Alegraram-me muito, mas espero que tenham alegrado mais ainda ao coração de Deus!

Gostaria de agradecer também quem deixou em minha mesa, há alguns dias, um bloco de papel Fabriano e 2 potes de pasta acrílica. Havia uma tela sobre o cavalete (material doado também) para a qual eu olhava ha algumas semanas. De vez em quando as crianças perguntavam-me se eu não iria pintá-la. Mas não era a hora... No entanto ontem, olhei para ela, para a pasta acrílica, para alguns materiais alternativos (vidro, pedras, sementes, folhas), e a transformei. Assim que puder postarei uma foto do resultado
.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Alimente seus olhos!


“Ora, as árvores frutíferas!
Bem sabes, meninazinha, que os nossos olhos também precisam de alimento”
Quintana


Hoje iniciei a oficina lendo a frase acima com as crianças. Em seguida
questionei que tipo de alimento os olhos precisam, o que a frase significava. Uma criança respondeu: “Cenoura! Temos que comer cenoura. Faz bem para nossos olhos”. Não pude deixar de rir com ela... mas não demorou 30 segundos e ouvi de outras “precisam de beleza”, “de coisas bonitas”, “de cores, de formas”. Ufa! Elas já aprenderam que precisam nutrir seus olhos...
Partimos então para prática, pintando borboletas para deliciar outros olhos...

Preciso admitir que sou encantada pela imaginação das crianças. Pena que dura tão pouco... dura até alguém convencê-la (o que não é difícil) que o que imagina não serve pra nada. Até então, ela construía casas, barcos, carros, viajava pelo mundo. Há adultos que dificultam tudo, complicam, e sequer imaginam do que são capazes!
Hoje me aproximei de um garotinho e ele brincava com um barquinho e um pescador com sua vara. O barquinho era um pedacinho de bexiga azul, o pescador um botão, e a vara um pedacinho de arame. Triste? Pobre? Não! De forma alguma! Eu não consegui ver (já sou adulta), mas provavelmente tinha mar, peixes e sol naquele lugar também...

Hoje realmente aprendi muitas coisas! Uma delas foi fabricar uma filmadora. Basta você ter uma caixa de sapatos, 2 tampas de garrafa pet, 1 rolo de papel higiênico (só o rolinho), alguns papéis para decorar, cola e tesoura. A Ingrid levou ela prontinha para Casa da Videira. Rosa, lindinha. Logo, o Tomás quis aprender a fazer uma. Ela nos ensinou!

É compensador quando as crianças começam, ou voltam, a ver além do que está à frente dos seus olhos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Olhar Ampliado


A sensibilidade, segundo Ana Mae, é algo muito amplo e vago. Realmente não é algo calculável, não há um parâmetro possível para comparar o nível de sensibilidade entre 2 pessoas. O que chama a atenção de uma pessoa pode passar despercebido para outra. Contudo, essa outra, não pode ser considerada menos sensível por este fato.

É certo que a sensibilidade precisa ser aguçada, incentivada, provocada em diversos contextos. É preciso provocar os sentidos das pessoas, especialmente das crianças, pois ainda se mostram profundamente interessadas em tudo. É angustiante ver como todo este interesse vai sendo demolido pela apatia a tudo, ou quase tudo conforme os anos passam.

Eu sou insensível diante de muitos apelos sensoriais, apesar de esforçar-me para não ser.
Mas a visualidade, especialmente as cores e formas da natureza, torna a minha vida mais bela. O meu desejo é compartilhar este sentimento, e para isso quero apresentar as pessoas óculos com lentes de aumento.

Estes óculos não deverão ser usados apenas para ver os meus trabalhos, mas poderão ser levados embora pelos espectadores. Afinal, eu terei que fazer uma seleção de recortes que olharei com óculos, e quero que os espectadores tenham liberdade para fazer outras seleções.

Os meus óculos serão colocados para ampliar minúcias da flora: detalhes de um botão de flor, nervuras de uma folha verde, uma pétala de linda textura, um espinho delicado e perigoso. No entanto, nada impede que eu adentre um universo mais amplo que este inicialmente pretendido. Assim como também não quero ficar presa a um tipo de suporte. Vou desenhar ou pintar; na tela, no papel, ou na parede; com tinta acrílica, a óleo ou aquarela; com lápis ou apenas grafite.

Olhar ampliado.

(Fotografias do jardim da Casa da Videira)