quarta-feira, 25 de junho de 2008

Como transformar o progresso?

Desci do ônibus na Pç. Rui Barbosa em pleno horário de pico, 18h. Quanta gente, quanta beleza diferente. Jovens bem arrumados nas filas para embarcar nos ônibus, rostos cansados, crianças agitadas, gente apressada. Deficientes se arrastando pedindo uma moedinha ou qualquer coisa que talvez nem eles saibam o que, e o cheiro de bacon frito e pipoca é levado pelo vento do intenso movimento de pessoas sem nome. Sapatos, roupas, muitas roupas!Liquidação, promoção, 30% de desconto! E na saída da escola as crianças fumam, e se beijam, e se acariciam. E dizem que amam, e que é preciso aproveitar a vida.

Está escurecendo e as pessoas já fizeram tantas coisas hoje. Mas buzinam, ultrapassam, furam o sinal, trancam o cruzamento. Os motoristas de ônibus falam mal, do transito, do salário, do tempo de trabalho. Não obrigada. Puxa vida, era uma senhora distribuindo folder de alguma loja. Toda agasalhada, devia estar ali há horas. Ops, desculpe. Faltou espaço para ultrapassagem. Acontecem acidentes de transito entre pedestres também.

E mais lojas, e mais promoções, vitrines bonitas e muitas, mas muitas pastelarias. Fumaça pra todo lado também. As propagandas foram proibidas mas o vício e o desejo de fama ainda se apoderam de muitos. E o camelô, vendedor de frutas, encerra o expediente. Fecha o seu carrinho e o empurra com dificuldade, até onde não sei. A sirene da ambulância anuncia mais um acidente, o transito se abre para ela passar e o vendedor da farmácia continua atendendo. Agora vem a viatura da polícia, e é apenas mais um no meio de caos.

Cheguei à escola onde estudo e escrevo estas palavras ouvindo reggae, com cenas de praia que insistem em vir a minha mente. E assim o caos se dissolve frente a um puf laranja e uma “bela” planta artificial. O mesmo ocorre quando assistimos uma reportagem sobre algo que realmente nos preocupa, ou nos entristece, e logo em seguida somos bombardeados com propagandas e programas supérfluos e inúteis. Realmente é preciso se esforçar para o gratuíto exercício da reflexão.

Nasce então uma angústia causada pelo excesso de apelos sensoriais, pela imposição de marcas, pela sujeira visual, pela enxurrada de informações, pela exploração da ignorância, pela desordem geral.

Como não participar? Ou participar sem contribuir para o que chamam de progresso mas que mais se parece com regresso? Regresso não como voltar, mas como piorar. Progresso não como melhorar, mas como avançar sem sentido. Como amenizar tal caos? Como interferir no processo? Como transformar o mundo no qual vivemos em um mundo melhor?

sábado, 21 de junho de 2008

Lojinha no blog

Bem, primeiramente gostaria de convidá-lo a visitar um novo blog: Sacolas Ecológicas Casa da Videira. Está novinho, esperando sua participação com comentários! Em breve será possível encontrar lá o catálogo das bolsas, mas por enquanto apenas uma apresentação deste bonito trabalho.

Agora que você já leu no blog SacolasVideira como fazemos negócios na Casa da Videira, penso que posso apresentar alguns dos produtos da Oficina da Transformação. A venda deles possibilitará recursos para mais e mais transformações. Idéias não faltam!



Estes 4 vasos de cerâmica chegaram numa doação, dentre muitos outros materiais, feita por uma floricultura. Alguns ainda sem pintura e outros até pintados, mas todos foram transformados.

Apenas R$9,00 cada.

















Este quadro foi feito com serragem peneirada e tinta. Eu tinha esta tela guardada há um bom tempo, parece até que estava guardada para este trabalho. Foi muito legal fazê-lo com as crianças! Mede 50x70 cm. R$35,00

Este com vários elementos vocês já sabem a história. Só não sei se contei que tem dedinhos do Tomás aí... Há garoto que gosta de arte! R$50,00

Abaixo seguem fotos de 3 quadros que estão expostos na Casa da Videira, mas que pintei algum tempo atrás, ainda na fase "paisagística", anterior à faculdade. Medem 50x70cm e já possuem moldura. Estou dizendo por aí que a oferta mínima é de R$180,00.Sim, oferta mínima porque já cheguei a vender quadros semelhantes a esses por muito mais dinheiro, mas a questão agora não é ganhar muito, mas usar muito bem. Então se alguém achar que eles valem mais e estiver disposto a adquirí-los, basta fazer a oferta.


E por fim, uma foto comigo pintando a janela, ao redor da janela... Tadinha, ela estava lá no jardim abandonada enferrujando e eu lá em cima precisando de iluminação. Agora ela está bonita, bem tratada, adornando nosso cantinho.






quarta-feira, 18 de junho de 2008

Arte e Vida



Há! Como é bom poder criar! Ou melhor, transformar. Pois tudo que existe e o que ainda conheceremos já foi criado. Está tudo aqui! Uma diversidade imensa de formas, de cores, de texturas, de materiais! Nada é original se pensarmos que tudo já foi criado, mas o prazer em selecionar materiais, escolher nuances de cores, explorar texturas, definir formas... Há! É algo muito bom!


Tenho a impressão de estar escrevendo para um público restrito. Mas não deveria ser assim. Todos podem ter uma experiência artística mesmo que nunca tenham desejado ser artistas. A arte está impressionantemente mais entrelaçada com a vida do que muitos imaginam. Na minha monografia de conclusão do curso de Arte Plásticas na UFPR, escrevi longamente a respeito, relacionando arte e cotidiano – artesanato, culinária, moda, decoração, e outros “fazeres especiais”.

Segundo
Richter (2003, p. 104–105), embasada por Dissanayake**, o ser humano tem uma necessidade interior de transformar ou embelezar a realidade, o seu entorno, e dedica-se o melhor que pode nessa atividade especial, nesse ‘fazer especial”, com expressa intenção estética. Colocar aleatoriamente objetos para o café sobre a mesa é uma atitude muito diversa de dispô-los de forma organizada e agradável
aos olhos; bordar uma toalha com restos de fios tomando cuidado com as cores que ficarão próximas e com o efeito destas, é diferente de bordar apenas para
produzir uma toalha; tricotar uma blusa com uma técnica ensinada por três
gerações; fazer determinado prato típico de uma região,... Atitudes como estas, que permeiam o cotidiano de todos, são carregadas de sentido e proporcionam
valor estético a vida.
* RICHTER, I. M. Interculturalidade e estética do
cotidiano no ensino das artes visuais. Campinas – SP: Mercado das Letras,
2003.
** DISSANAYAKE, Ellen. What is art for? 2º ed. Seattle, University of
Washington Press, 1991


E na Casa da Videira todos transformamos! São tantos os fazeres especiais lá! É o Sr. Rene transformando a madeira, a Yrene recuperando plantinhas, o Du sempre construindo alguma coisa, a Janete preparando pratos gostosos, a Andressa fazendo uma criança sorrir, o Lucas fazendo do óleo sujo sabão perfumado, as mulheres do atelier de costura confeccionando lindas sacolas! Além é claro, de nós estarmos em plena transformação e participando da transformação das crianças ao nosso redor.

Fotografei as imagens que ilustram o texto hoje na Casa da Videira. Que perfeição! Não das fotos! Mas da criação!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Por uma internet melhor!

Na semana passada eu pouco escrevi no blog, fiz apenas introduções. Vontade não faltou, mas outras atividades disputaram o meu tempo. Uma delas foi o 10º evento da LocaWeb para profissionais de Internet. Ainda não sou uma profissional, mas sou bastante curiosa e fui lá ouvir sobre tendências do mercado, novos softwares, tecnologia da informação, marketing e muito mais.
As seis palestras ampliaram o meu horizonte tecnológico, evidenciaram o quanto a internet está transformando o mundo. A internet transformou a forma de fazer compras, de fazer negócios, de estudar, de pagar contas, de se divertir, de se relacionar. O mundo foi compartimentado e se tornou acessível a todos, não apenas como assistentes, mas como participantes. A partir da internet 2.0, todos podem interagir com os sites, deixar sua opinião na blogosfera ou no Orkut, publicar um vídeo no YouTube, ou jogar com outras 7 internautas online.
O ciberespaço tem muita, mas muita coisa boa! Mas também tem muito LIXO. Assim como o mundo físico, o mundo virtual também necessita de cuidados, de organização, limpeza, ética, de novos olhares. Sequer citarei aqui as sujeiras da internet, até porque a calamidade virtual provém daqueles que operam as máquinas. E tudo está interligado, é uma rede de informações, um pacote com tecnologia, meio ambiente, ciência, saúde, educação, política, espiritualidade, comércio, relacionamentos...
“A web é uma rede mundial de gente.”
A palestra do Gil Giardelli – A Internet Inteligente, foi realmente inspiradora. Com simplicidade e requinte ele abordou meios para uma internet a favor de um mundo melhor.

A internet também pode transformar olhares, ser “música para os olhos”, renovar entendimentos, restabelecer valores. E é por isso que esse blog existe, e outros como o das bolsas e do sabão ecológico serão feitos.
Porque uma internet melhor é possível!

sábado, 14 de junho de 2008

Casa da Videira

Para quem ficou se perguntando: Que lugar é este? Segue abaixo um texto, do qual gosto muito, sobre a Casa da Videira. Desconheço o autor, mas acredito que ele gostará que mais pessoas conheçam este encantador lugar. Modifiquei apenas o último parágrafo com atualizações.

Boa leitura!
Foto montagem por Marcos Scheguschevski

Que lugar é esse?Onde três sementes de Girassol, fazem nascer mais que flores, mas o sorriso no rosto de uma criança que havia se perdido de si mesma, e que encontra outras para se encontrar.


Onde passa uma criança correndo, sorri pra você, te chama de tio ou tia e diz que está com pressa? O sorriso e o nome tio, isso se percebe, são fruto do afeto... ela te incluiu na família.


Onde um punhado de milho vira um projeto para aprender música, amor à natureza e responsabilidade para com a criação. E onde a colheita de um canteiro abre as portas para conversar sobre ecologia, sobre história das civilizações, sobre como o amor de Deus é plantado, cresce e pode ser colhido no solo do coração.

Onde um adolescente sai do seu mundinho e mostra responsabilidade ao trazer pela mão um irmão menor, ou mesmo o irmão do amigo. Onde se aprende que cuidar do outro é o primeiro passo para um mundo melhor.


Onde quem ensina aprende, onde o mestre é o outro e o afeto é o quadro no qual vai se desenhando uma história feita de nossas biografias.

Onde a palavra “complexo” ganha seu sentido ao nos tecer juntos até que já não podemos mais dizer EU sem pensar NÓS.

Onde palavras ganham sentido e vida... vida... vide... videira. E esta vida faz de um galpão, uma casa, e essa casa vira nossa.


E nessa casa tem roupa, tem comunidade, tem oportunidade, tem participação. O que foi amado um dia, ganha novos amores e aquele querido casaco usado, vira o novo casaco querido de outro alguém.


Onde segurança é sinônimo de vizinhança, não de arame farpado. Onde lugar de brincar se chama vila, onde leitura é feita em roda, e na roda capoeira e na dança a gente roda.


Onde em meio ao descaso e a desesperança, nasce a vida. Por que é ela, crêem os que vivem nessa casa, que terá sempre a palavra final. Nesse lugar se verifica que Deus sempre nos surpreende, levando cada um muito além dos lugares onde havíamos planejado chegar.

É assim esse lugar.... e existe... é uma casa, à sombra de uma videira, nas mãos de um agricultor.

A Casa da Videira - ACV é uma organização não governamental cristã que trabalha com projetos nas áreas de desenvolvimento da cidadania e renda.


Atualmente trabalhando na Vila Fanny, a Associação Casa da Videira desenvolve projetos que trazem para o bairro cultura, através de eventos como o Nós Na Tela e o Coro Brado, oficinas de costura, bordado, horticultura, arte, culinária, marcenaria, fotografia, vídeo, além de atividades pedagógicas e muita brincadeira! Temos ainda um bazar onde roupas novas e usadas são vendidas a preços baixos, produção de sabão ecológico a partir do óleo de cozinha, e um atelier de costura onde é comercializado um novo estilo de vida com as bolsas ecológicas.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Não Leia. É Perda de Tempo.

Hoje tentei trabalhar retrato e auto-retrato com as crianças. Sim, tentei. Mas estavam impossíveis. Foi uma gritaria só ao verem suas fotos ampliadas em folhas A3, nas quais elas iriam interferir.

Como o auto-retrato é um retrato de quem o faz, é preciso olhar para dentro, pensar em características, em virtudes e defeitos (ou diferenças). As crianças ainda olham mais para os outros que para si, pois ainda estão formando suas bases, fazendo escolhas, definindo preferências, observando como as pessoas reagem em cada situação. Aparentemente tudo acontece com naturalidade. Já os adultos, têm dificuldade para equilibrar. Talvez o mais comum seja olhar demais para si e mal perceber os outros. Mas acontece também de evitar nos entender, julgar desnecessário, desinteressante.

Eu escrevo muito, escrevo sobre pensamentos, sentimentos, impressões... Raramente mostro a alguém, mas guardo tudo. De vez em quando leio e vejo o que vivi e o quanto fui transformada, e nessas leituras provo melancolia e alegria. Mais alegria que melancolia. Parece que assim converso comigo, me conheço melhor, organizo o que penso. Logo abaixo está um texto nesse gênero, não meu, mas de alguém que parou, se olhou e tentou entender o que viu.



Não Leia. É Perda de Tempo


Talvez o título tenha despertado sua curiosidade, por isso reforço: Não leia. Você perderá seu precioso tempo.
Poderia apostar meu dedo mindinho que você continuou. Ô curiosidade! Já que insiste...
Tenho ouvido muito e de todos os lados. Estou cercado de pessoas que enxergam o mundo de formas diferentes, alternativas. São pensadores, amantes da vida. Pessoas inconformadas com o mundo que vivemos, ou como diz um deles: sobrevivemos. Todos eles têm a facilidade de se expressar. Suas idéias transformam-se em letras com uma facilidade assustadora. Eles lembram as palavras e seus significados e isso é realmente invejável. Diante disso um sentimento me surge. Queria ser como eles e ter todas as suas qualidades. Seria isso a tão famosa inveja? Poder-se-ia dizer que sim, não fosse um detalhe: eu amo cada uma dessas pessoas. Muito já se falou sobre o amor então não vou me arriscar a falar nada para não correr o risco de estragar algo que já foi dito e também porque tenho a absoluta certeza de que não somarei nada. Eu simplesmente poderia dizer que eu vivo o amor ao extremo. Sou emotivo e às vezes isso me faz um mal danado. Escrevendo essas palavras sinto um nó na garganta. Por quê? Não sei. Não faço a mínima idéia. Nessa hora, mais uma vez, eu não gostaria de ser eu. Gostaria de ser outro, gostaria de ser alguém melhor. Dizem que eu sou muito autocrítico, que exijo muito de mim. Podem ter razão. Na minha auto-avaliação acho que a nota máxima que já tirei foi 7 e na minha "escola" isso não basta pra passar. Eu fico me perguntando a todo instante o que devo fazer? Isso acontece com mais alguém??? Estou cercado de pessoas que, como já disse, são pensadores. "Nossa! Como eles conseguem ver a vida de forma tão clara?", penso. Há! Olha eu aqui já partindo pra auto piedade. Credo! Ok, ok... continuando... e já finalizando também. Apesar disso tudo que eu disse, sei que existem pessoas que me amam também e talvez (estou me arriscando a dizer) algumas até que me considerem "o cara" e se isso for verdade prefiro não saber quem são, primeiro porque talvez isso "quebre o encanto", segundo porque sofro do mal do orgulho. Sei que eu tenho um papel a desempenhar na história e que um dia vou olhar pra trás e ver o que minha existência mudou nesse mundo. Por enquanto não enxergo nada. Deus sabe o que faz. Se eu enxergasse, talvez deixasse de fazer. Alguém consegue entender o que digo? Me resumo como uma pessoa feliz em sua tristeza. Nossa isso é esquisito! ...mas é isso que acho que sou. Ao contrário do que todos pensam, tristeza faz bem sim. Fico imaginando um mundo só de pessoas felizes... penso que seria bem chato. Não espero que ninguém concorde comigo, acho isso e pronto (ah, também sou uma pessoa teimosa). A questão da tristeza está muito ligada a dor. Pra mim essas duas coisas produzem compaixão, humildade, honestidade, hospitalidade, simplicidade e mais um monte de coisas capazes de mudar o mundo. Não sei se você observou, mas eu disse logo acima que estava finalizando o texto... (risos). Sou feliz. E muito. Acredite! (também me contradigo muito). E pra você que se deu ao trabalho de ler este texto e está pensando: "Tá, e daí? O que você quer dizer com todo esse blá, blá, blá?" eu respondo: não sei, não faço a mínima idéia. Eu estava com vontade de escrever. Talvez você leia esse texto e pense: "Meu! Eu consigo fazer muito melhor que isso". Se isso acontecer, ESCREVA! Só de imaginar que talvez eu desperte esse desejo em alguém, que talvez leia esse texto, que talvez se identifique e que talvez entenda algo do que estou escrevendo já me fez sentir que o dia de hoje valeu a pena ser vivido. E se depois desse comentário você ainda está aqui lendo é porque realmente estava com vontade de ler . Ah, eu poderia colocar aqui nessa linha uma frase de alguém famoso, como Chesterton, C.S. Lewis, Einstein e tantos outros, só pra chamar sua atenção (já fiz isso) e te fazer pensar que eu sou um cara inteligente mas esse não é o meu propósito. Talvez a minha maior intenção com este texto seja quebrar o padrão. Porque algo tem que ter início, meio e fim? Porque não escrever meios-textos? Porque não produzir algo que não se sabe quando, de que forma, e muito menos se um dia vai ter fim. Você já ouviu falar daquela igreja, acho que na Espanha, que está sendo construída faz um tempão e que não tem previsão pra ser acabada? Pois então, eu arrisco dizer que a obra nunca acabará. Todos a conhecem assim e muito da beleza dela seria tirada se um dia dissessem "está pronto". Porque tudo tem que ter lógica? Quanto isso limita o nosso pensamento? Não sei. Deixo você aqui, espero que pensando. Se você ficou com raiva de ter lido algo de tão baixa relevância (em seu julgamento) só quero lembrá-lo que você foi alertado desde o início.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Caro ego...


"(...) caro ego, Deus decidiu não compartilhar sua glória com você hoje. Ele a quer toda para si mesmo. Sua amiga, Sheila."
(JOHNSON, Greg. O mundo de acordo com Deus – Uma visão bíblica sobre a cultura, o trabalho, o sexo e cada detalhe de sua vida.) --- Recomendo este livro!

Lembrei-me da recomendação do Greg quando li os comentários do blog. Alegraram-me muito, mas espero que tenham alegrado mais ainda ao coração de Deus!

Gostaria de agradecer também quem deixou em minha mesa, há alguns dias, um bloco de papel Fabriano e 2 potes de pasta acrílica. Havia uma tela sobre o cavalete (material doado também) para a qual eu olhava ha algumas semanas. De vez em quando as crianças perguntavam-me se eu não iria pintá-la. Mas não era a hora... No entanto ontem, olhei para ela, para a pasta acrílica, para alguns materiais alternativos (vidro, pedras, sementes, folhas), e a transformei. Assim que puder postarei uma foto do resultado
.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Alimente seus olhos!


“Ora, as árvores frutíferas!
Bem sabes, meninazinha, que os nossos olhos também precisam de alimento”
Quintana


Hoje iniciei a oficina lendo a frase acima com as crianças. Em seguida
questionei que tipo de alimento os olhos precisam, o que a frase significava. Uma criança respondeu: “Cenoura! Temos que comer cenoura. Faz bem para nossos olhos”. Não pude deixar de rir com ela... mas não demorou 30 segundos e ouvi de outras “precisam de beleza”, “de coisas bonitas”, “de cores, de formas”. Ufa! Elas já aprenderam que precisam nutrir seus olhos...
Partimos então para prática, pintando borboletas para deliciar outros olhos...

Preciso admitir que sou encantada pela imaginação das crianças. Pena que dura tão pouco... dura até alguém convencê-la (o que não é difícil) que o que imagina não serve pra nada. Até então, ela construía casas, barcos, carros, viajava pelo mundo. Há adultos que dificultam tudo, complicam, e sequer imaginam do que são capazes!
Hoje me aproximei de um garotinho e ele brincava com um barquinho e um pescador com sua vara. O barquinho era um pedacinho de bexiga azul, o pescador um botão, e a vara um pedacinho de arame. Triste? Pobre? Não! De forma alguma! Eu não consegui ver (já sou adulta), mas provavelmente tinha mar, peixes e sol naquele lugar também...

Hoje realmente aprendi muitas coisas! Uma delas foi fabricar uma filmadora. Basta você ter uma caixa de sapatos, 2 tampas de garrafa pet, 1 rolo de papel higiênico (só o rolinho), alguns papéis para decorar, cola e tesoura. A Ingrid levou ela prontinha para Casa da Videira. Rosa, lindinha. Logo, o Tomás quis aprender a fazer uma. Ela nos ensinou!

É compensador quando as crianças começam, ou voltam, a ver além do que está à frente dos seus olhos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Olhar Ampliado


A sensibilidade, segundo Ana Mae, é algo muito amplo e vago. Realmente não é algo calculável, não há um parâmetro possível para comparar o nível de sensibilidade entre 2 pessoas. O que chama a atenção de uma pessoa pode passar despercebido para outra. Contudo, essa outra, não pode ser considerada menos sensível por este fato.

É certo que a sensibilidade precisa ser aguçada, incentivada, provocada em diversos contextos. É preciso provocar os sentidos das pessoas, especialmente das crianças, pois ainda se mostram profundamente interessadas em tudo. É angustiante ver como todo este interesse vai sendo demolido pela apatia a tudo, ou quase tudo conforme os anos passam.

Eu sou insensível diante de muitos apelos sensoriais, apesar de esforçar-me para não ser.
Mas a visualidade, especialmente as cores e formas da natureza, torna a minha vida mais bela. O meu desejo é compartilhar este sentimento, e para isso quero apresentar as pessoas óculos com lentes de aumento.

Estes óculos não deverão ser usados apenas para ver os meus trabalhos, mas poderão ser levados embora pelos espectadores. Afinal, eu terei que fazer uma seleção de recortes que olharei com óculos, e quero que os espectadores tenham liberdade para fazer outras seleções.

Os meus óculos serão colocados para ampliar minúcias da flora: detalhes de um botão de flor, nervuras de uma folha verde, uma pétala de linda textura, um espinho delicado e perigoso. No entanto, nada impede que eu adentre um universo mais amplo que este inicialmente pretendido. Assim como também não quero ficar presa a um tipo de suporte. Vou desenhar ou pintar; na tela, no papel, ou na parede; com tinta acrílica, a óleo ou aquarela; com lápis ou apenas grafite.

Olhar ampliado.

(Fotografias do jardim da Casa da Videira)