segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Últimas produções

Eu realmente não sabia o quanto era legal “pirografar”. Com o pirógrafo do Sr. Rene pude experimentar e pirar em alguns canetários e quadrinhos.

Uma conversa com a Tina do Coro Brado me levou a pensar mais sobre música, em fazer algo relacionado à música... Estas caixinhas farão parte do kit Casa da Videira e levarão um sabão ecológico dentro.



Após anos sem pintar tela, voltei essa semana. Há! Eu realmente gosto de pintar! Senti aquela sensação gostosa novamente. Aquela sensação indescritível sabe? Que só quem sente é quem sabe...

E o resultado está aí...

Deixei-me levar de tal forma pela pintura, pelas formas, pelas cores suaves e contrastantes, por pinceladas rápidas e macias... e só me dei conta que fiz a clave do lado errado quando terminei a pintura! Talvez o termo certo não seja “do lado errado”, mas do lado contrário ao convencional. E será que há um termo “certo” para definir a pintura? Ela fluiu, mesmo que a partir de uma falha da minha memória ou da minha mão que preferiu outro movimento. Sim, porque fiz tantas claves de sol pirografadas que não deixam dúvida que eu sabia fazer...

Confesso que fiquei frustrada! Entrei em crise! Mas no mesmo dia soube que uma amiga costurou a manga de uma blusa do lado avesso, outra desmanchou uma alça perfeita no lugar de uma com defeito, e outros exemplos foram surgindo que me consolaram. Todos erramos, e o primeiro que não errar que atire a primeira pedra! (rsrs)

A tentação de falar que foi de propósito foi grande, mas não teria nada a ver comigo. Eu realmente odeio a mentira, e dessa forma mentiria para mim mesma. Escolhi então rir, assim como uma criança que cai de bunda no chão e começa a rir... Rir imaginando que poderão encontrar essa tela daqui uns 200 anos e darão 50 possibilidades do por que daquela clave do lado contrário... (rsrs)... Foi apenas um erro. Ou um acerto? Foi um devaneio artístico! A propósito, não tenho pretensões de ser uma artista famosa, foi apenas um delírio descontraído.
Estou aprendendo a rir dos meus erros...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Reminiscências filosóficas

Não há certo nem errado, toda lei ou regra não existe e a maioria foi instituída recentemente. Há instinto de defesa, de sobrevivência. Há necessidades que precisam ser supridas e meios para supri-las. Com a capacidade criadora, nem sempre sábia, o homem seleciona e ordena segundo parâmetros que instituíra previamente. Muitos embasados em sentimentos fraternos e cuidadosos, outros completamente materialistas e prejudiciais ao meio. Enfim, um olhar macro contempla ordem e um olhar micro detecta uma pseudo ordem.

Todo conhecimento decomposto em letras, palavras, frases, textos, artigos, músicas, livros, jornais... Será que tudo é questionável? Estas palavras que escrevo são compreensíveis devido à ordem estabelecida – letras, vogais e consoantes, frases, parágrafos, idioma português... O que seria deste texto sem pontuação? Confusão e aparente desordem. Muitos estiveram embutidos no sistema para que eu pudesse ler e escrever hoje. Desde a invenção do papel, o desenho das letras, a organização de dicionários, a tecnologia da informática.... A importância da desconstrução é inegável para valorização e reconstrução de qualquer coisa.

Onde posso chegar nessa linha de raciocínio se entender que tudo é questionável, que não há certo nem errado, que o sistema não está funcionando como deveria e que, portanto, eu deveria andar contra ele? O desanimo não tarda em duvidar de qualquer esperança. Mas a vida acontece numa rede de relacionamentos, entre pessoas que pensam e constroem, que buscam fazer e transformar, que procuram dar sentido e valor ao que vivem...

Procuramos não ser favoráveis ao sistema, mas em algum grau dependemos dele. Renunciamos aos produtos industrializados, aos plásticos, ao carro; Adotamos produtos orgânicos, sacolas de tecido e bicicleta. E estes são apenas três exemplos dentre muitas mudanças que podemos decidir viver. Mas o produtor orgânico precisa do carro para vender na cidade e as sacolas que seus clientes levarão suas frutas e verduras foram compradas no shopping – lugar que abriga jaulas humanas? Que incentiva o consumo desenfreado? Que dissemina a indústria cultural? Mas que devido a sua organização possibilita fundos para projetos que começam a mudar o mundo.
Quando comecei a escrever este texto não tinha ao certo o que queria dizer. Penso que eu queria me entender melhor, entender o que estou vivendo. Gostamos quando fazemos negócios com empresas grandes, quando vendemos idéias e produtos que mudam o mundo, e a dúvida que surgiu foi se estamos apoiando o sistema que rejeitamos. Talvez estejamos tão enraizados nesse sistema que se torna difícil entender a validade de pequenas ações que introduzem um outro jeito de viver. Compreender que talvez seja necessário ser cúmplice durante algum tempo, mas que a mudança já está acontecendo.

Peço desculpas antecipadas se acabei sendo abstrata demais ou equivocada em algum aspecto. Minha orientadora da monografia sempre dizia que eu tenho dificuldade em colocar as idéias inteiras no papel, acabo escrevendo partes e o texto fica confuso. Profe. Marília, estou me esforçando... rs

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Lagarta


Esta lagarta,
aparentemente bem brasileira,
de curvas perfeitas e belas cores,
foi fotografada após ser flagrada
na horta da Casa da Videira...



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Guarda

Por 2 dias o Tomás (9 anos) pedia incansavelmente um pano. Sem sucesso ele ganhava apenas retalhos, começou então a querer comprar um tecido. Sem dinheiro, pegou uma caixa da prateleira (sem autorização) e saiu vendendo pela Casa da Videira. Dentro de alguns minutos chegou a compradora querendo se certificar se a caixa que valia 4,50 realmente estava com desconto e estava sendo vendida por 2,00. Este era o valor exato do tecido que o Tomás queria comprar. Conversei com ele sobre mentir, sobre os malefícios da mentira.

No dia seguinte ele trouxe 2,00 de casa, nos certificamos com a mãe se ele realmente podia usar, e finalmente obteve um bom pedaço de tecido novinho. Feliz da vida me pediu tintas e pincéis. Esticamos o tecido no estacionamento, logo surgiram outras crianças para ajudá-lo, as quais ele instruía o que fazer e dizia: “Capricha! Capricha!”

O Tomás tem imenso carinho pelo guarda da sua escola. Desconheço algum fato pontual que os tenha aproximado, apenas imagino que o Tomás admire o guarda pela sua profissão e que este guarda dedique atenção especial ao Tomás. Ele já fez boné e farda iguais as do guarda, fez presentes para o guarda, e dessa vez convidou o guarda para almoçar na sua casa. E o tecido o que te a ver com isso? Há! Era para fazer uma faixa de “BEM VINDO GUARDA!”, com letras grandes, desenhos e laços.

A atitude do Tomás me fez pensar sobre amizade. Amizade cheia de respeito e admiração, mas principalmente amizade desinteressada. Dispor tempo e dinheiro para um amigo sem esperar nada em troca, oferecer carinho e atenção pelo prazer de estar junto. Amizades verdadeiras assim são puras, sublimes e raras.

Transitoriedade

Tudo é transitório. Se hoje lutamos com todas as nossas forças por algo, amanha este algo pode perder todo o valor. O que realmente tem valor se todo valor pode se perder? O valor das coisas é efêmero? Então por que fazemos tantas coisas para obter ainda mais coisas? Há coisas que são necessárias, outras parecem necessárias, e outras que realmente não são necessárias. É pura vaidade. Almejá-las é correr atrás do vento, e conquistá-las é abraçar o vento. Abraçar o vento pode ser bom, só é preciso não esquecer que é vento.

Não só coisas materiais podem perder o valor instantaneamente. Um diploma pode não significar nada três anos após a formatura, um cargo superior na empresa pode causar mais malefícios que benefícios, uma opinião convicta hoje pode perder o valor amanhã. Lutar por uma causa pode fazer a vida ter mais sentido, mas se a luta não for por amor a pessoas, todo sentido, todo valor se perderá como o vento.

"Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa". (Tg 4:14)