quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Divino Brincar


O lançamento do Divino Brincar foi um sucesso!

E agora vocês poderão conhecer novas histórias e outros produtos no blog:


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terça-feira, 16 de setembro de 2008

A irmã Natureza


Nunca em minha vida tive tamanha admiração pela natureza. É como se os meus olhos enxergassem o que antes não viam. Enquanto estou escrevendo, vejo um céu de um azul tão intenso que sinto o enorme desejo de voar. Ah... que inveja dos pássaros! Aliás, estes eu não vejo mais com tanta freqüência. Vejo algumas árvores dançando ao som do vento, na melodia mais linda já criada e que nenhuma pessoa seria capaz de reproduzir. Vejo também a grama, verdejante. Que vontade de deitar nela e assim poder contemplar mais o céu azul. E os cheiros que a natureza produz... quem poderia dizer que não é o perfume do próprio Deus? Vejo também muitas pessoas, passando, pensando... indo, vindo, correndo... nervosas. Estão pisando a grama se nem olhar pra ela. O céu então nem se fala. Acho que só lembram de olhar pra ele quando começa a chover e o olhar delas nesse momento não é de admiração mas de raiva. Coitada da grama. Vez por outra ainda jogam um toco de cigarro nela. Mesmo assim a grama, e a natureza toda, permanecem firmes num mesmo propósito: serem belas. Em despeito ao cinza, à fumaça, à dureza do asfalto, a natureza insiste em ter o colorido mais intenso que seja possível ter, o cheiro mais agradável que se possa sentir, toda exuberância de sua existência.


Chesterton disse muito bem:
“O ponto principal do cristianismo foi esse: que a natureza não é a nossa mãe: a natureza é nossa irmã. Podemos nos orgulhar de sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai, mas ela não possui autoridade sobre nós; temos de admirar, mas não imitar. Isso dá ao típico prazer cristão nessa terra um toque estranho de leveza que chega quase a frivolidade... a natureza não é solene para Francisco de Assis ou George Herbert. Para são Francisco, a natureza é uma irmã, e uma irmã mais nova: pequena, dançante, com quem se ri e a quem se ama” (Ortodoxia, 120)

(texto de Marcos Scheguschevski)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Quem está no poder?

Fiquei doente. Dois dias atrás perdi as forças de tal forma que não conseguia parar em pé, mas já estou bem. Após algumas agulhadas pelo corpo e um dia inteiro de absoluto repouso, a máquina voltou a funcionar. Precisei desmarcar alguns compromissos e fui obrigada a dar total atenção a ela, pois não conseguia fazer absolutamente nada, sequer ler um livro. E neste processo reconheci mais uma vez que definitivamente não sou eu quem está no controle.

Reconheci também a enorme pressão que eu decido todos os dias me submeter. Pressões externas são até comuns, até certo limite talvez saudáveis; mas a maior e pior pressão que sofro é a minha. Imponho condições, datas e até premiações... (rs, espero não ser a única a pensar coisas do tipo: se eu conseguir fazer isso tomarei um belo sorvete! rs) Lembro-me que quando era pequena, minha mãe nem precisava se preocupar com minhas notas, eu já cobrava o meu melhor... e isto nem sempre é bom.
Quando li o que Foster escreveu sobre os nossos EUs, identifiquei na mesma hora a guerra dos meus...

“Dentro de nós existe um conglomerado de eus. Há o eu tímido, o eu corajoso, o
eu dos negócios, o eu que é pai ou mãe, o eu religioso, o eu literário, o eu
enérgico. E todos estes eus são individualistas rudes. Nada de barganha ou
transigência para eles. Cada um berra a fim de proteger seus interesses
assegurados. Se é tomada uma decisão de passar uma noite tranqüila ouvindo
Chopin, o eu dos negócios e o eu cívico se erguem em protesto ante a perda de
tempo precioso. O eu enérgico anda de um lado para outro, impaciente e
frustrado, e o eu religioso nos relembra as oportunidades perdidas de estudo ou
contato evangelístico. (...) Não admira que nos sintamos perturbados e
divididos. Não admira que assumamos compromissos demais e vivamos vidas de
frenética fidelidade. Mas quando experimentamos vida no Centro, tudo muda.
Nossos muitos eus são submetidos ao controle unificador do Árbitro
divino.”(FOSTER, Richard. Celebração da Simplicidade, p.101. Editora United
Press:Campinas – SP, 1999)

A expressão frenética fidelidade soa bastante contraditória. Afinal, desejamos ser fiéis, e isto inclui relaxar e confiar no Árbitro. Não se trata de viver equilibrando o valor dos eus, porque isto também pode resultar em algo bem pesado. É preciso deixar fluir, obter harmonia entre os eus, aprender a andar com eles e não os carregando, são pesados demais.