domingo, 7 de dezembro de 2008

De s con s tr u ç ão

Volto de um encontro com amigos com uma palavra avulsa e uma pergunta na cabeça. A palavra é DESCONSTRUÇÃO e a pergunta é sobre o propósito da minha vida. Lembro-me de livros que abordam possíveis propósitos da vida, em inúmeras respostas que falam sem dizer nada, propósitos que aprendemos (com nossos pais, com a sociedade) que são os corretos. Mas gostaria de me esforçar e não pensar em algo que algum estudioso, religioso ou filósofo escreveu, em algo que ouvi e aprendi. Pois se aprendi, precisei apreEnder, e isto significa que algo que não estava em mim agora está. Não pretendo dessa forma desprezar minha pouca mas valiosa bagagem de vida, quero apenas me concentrar por um momento na essência, no que está intrínseco e não aglutinado. Para isso é necessário desconstruir, olhar para as enormes estruturas montadas dentro de nós e reconhecer que de alguma forma fomos moldados. Desde criança vamos incorporando hábitos, costumes, valores, crenças, conhecimentos, desejos... Somos formados e infelizmente muitos formatados. Ou seria o contrário? Bem, cada qual com seu tempo de aceitação, questionamento, ruptura, conformação ou mudança.

E voltando a busca da minha resposta, se é que meu caro leitor ainda lembra-se da pergunta, penso que o processo de desconstrução é inevitável. Essa desconstrução pode acabar sendo sinônimo de limpeza, de organização em meio ao caos que vivemos, de aplacar a ganância e olhar para o necessário, de abrir mão de uma vida de aparência por algo que realmente tenha valor. E o que realmente tem valor para mim? O que faz a tua vida valer a pena? O que me faz sentir feliz? O que te faz pensar ao deitar na cama que aquele dia valeu? Respostas simples me vêm à mente, respostas que fariam milhões chamarem-me de tola, mas respostas que enchem o coração de esperança e fazem a minha vida ter mais sentido. E agora queridos amigos ateus, fechem os olhos e até endureçam o coração, mas eu realmente não encontro propósito maior na vida que não seja amar Aquele que me deu vida. Esse amor não é algo vago e subjetivo, que se apóia apenas em caridade, mas um exercício extremamente prático e diário. É valorizar as coisas simples da vida em comunidade e participar ativamente no processo de descosntrução e construção individual e coletivo. Uma delicada e permanente transformação de vidas.