quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sem emprego sim, sem trabalho não!

É preferível estar desempregado a estar empregado sem trabalho.
Uma carteira de trabalho pode estar assinada, mas o seu proprietário não necessariamente estar trabalhando. Trabalhar pode ser entendido como transformar uma situação, uma realidade, solucionar problemas e caminhar rumo ao benefício de pessoas. Esta atividade não é feita somente quando se está empregado, pode ser feita também quando se está desempregado.

Obviamente nem todos optam por trabalhar desempregados, afinal, se você não tem horário para chegar à empresa, pode dormir até as 11h e assistir filmes o resto do dia esperando que alguém te ligue para uma entrevista. Estes justificam a desvalorização do que se vive neste período. A questão é que é possível adquirir muita experiência sem o tal emprego, mas infelizmente, experiência desvalorizada no currículo.

Aos meus 23 anos, tenho apenas duas assinaturas em carteira. A primeira, em 2007, posso garantir que foi um emprego co trabalho, onde permaneci por 9 meses e aprendi muito. Apenas saí porque era remunerada como vendedora, sendo que ao passar dos meses assumi funções de gerência...até entrevista com novos funcionários fiz. A segunda, em 2009, pude experimentar o que é estar empregada sem trabalho. A “experiência” durou 15 dias. Provavelmente se tivesse continuado, seria considerado interessante para o meu currículo, mas não para minha vida! Interessante para a minha vida, para o meu currículo, para a minha experiência profissional, foi o meu trabalho desde 14 anos quando comecei a dar aulas de pintura num shopping. Tive aluna que tinha o triplo da minha idade e precisei superar o medo. Com esforço e técnica, e não dom, consegui fazer exposições de telas em vários lugares da cidade. Precisei superar a timidez, montar portfólios, fazer contatos. Na faculdade, em meio a tantos trabalhos práticos e seminários, precisei também fazer estágio, e lá decidi que professora não queria ser, ao menos não de adolescentes... Pelo fato do curso ter sido no período da tarde, mais uma vez tive que optar pelo trabalho sem emprego: produzi agendas artesanais. A produção cresceu e até de ajudante precisei. Vendia, consignava e até com livraria renomada comercializei. Saí da universidade com um diploma em mãos e sem um emprego, lá fui eu continuar estudando e trabalhando! Abri uma empresa com minha irmã, a qual administrei até surgir um emprego. Aquele lá de cima, de 9 meses... Gostava muito da rotina administrativa, dos desafios diários! Para contrabalançar tive também uma experiência como educadora numa ONG, da qual escrevi em posts anteriores e na qual cresci pessoalmente, mas mais uma vez trabalho sem emprego. Apenas vida, experiência, trabalho! Antes mesmo de terminar um curso de 2 anos de web design, já estava fazendo sites, os quais sempre pegava com receio de não conseguir terminar, mas sempre acabou tudo bem.

Neste trajeto, fiz cursos de extensão universitária, curso de encadernação, curso de oshibana, cursos de inglês, cursos de web design, cursos para prestar concurso, fiz carteira de motorista... Assisti palestras proferidas por grandes nomes como Ana Mae Barbosa, Cézar Souza, Oscar Schmidt, Amyr Klink...

E certamente vivi muito mais do que relatei aqui...

Na dificuldade de encontrar um emprego para trabalhar, cheguei a pensar que nada foi válido. Que talvez fosse melhor ter escolhido um curso pelo retorno financeiro e ter trabalhado numa empresa com estabilidade. Mas estou certa que não, que minha dedicação em aprender, minha disciplina, minhas iniciativas empreendedoras, nada foi em vão.